28 de maio de 2014

Resenha: Faça Boa Arte - Neil Gaiman

“Faça Boa Arte” é um discurso que o Neil Gaiman fez na formatura da University of the Arts na Filadélfia em 2012. Eu já tinha assistido o discurso  um tempo atrás, mas o trabalho gráfico de Chip Kidd faz ter o livro valer muito a pena.

É uma leitura muito rápida, mas muito válida. Os conselhos que Neil Gaiman dá, são aqueles que podem ser até considerados um pouco clichês, mas que é sempre bom ouvir. Você precisa de um lembrete em alguns momentos da vida e eu acredito que esse livro é perfeito para isso. As vezes a vida fica corrida e a gente começa a se focar muito nas partes negativas e algumas mensagens do livro realmente tem seu impacto nesses momentos. 
Neil Gaiman começa o discurso falando um pouco sobre como ele começou a trabalhar com escrita e algumas coisas que ele aprendeu durante a sua vida que ele pensa ser útil para os recém-formados. Um desses conselhos é para pegar qualquer situação ruim da sua vida e transformar em uma arte. Foi o meu conselho favorito e eu li no momento certo. No meu caso, a arte seria a escrita. Utilizar sentimentos ruins para escrever poemas e textos pelo menos não me deixa com aquela sensação de perda de tempo. 


"As vezes a vida é dura. As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros aspectos que podem dar errado. Quando as coisas ficarem complicadas, é assim que você deve agir: Faça Boa Arte. É Sério."
Neil Gaiman fala também que é bom cometer erros e recomenda que todos devem cometer erros fantásticos. Outro conselho que é sempre bom ouvir e é um conselho que eu, pessoalmente, acho difícil levar da teoria e colocar na prática. No fundo, cometer erros quer dizer que você tentou. Você saiu da zona de conforto.

Esses foram dois exemplos, mas o discurso inteiro é extremamente inspirador. Recomendo muito a leitura do livro.
A parte gráfica é maravilhosa e é um daqueles livros que eu coloco na categoria de livros de cabeceira. Aqueles livros que contém conselhos e informações que vale a pena ler várias e várias vezes. Porque, no fundo, a gente esquece e é sempre bom relembrar. 

Editora: Intrínseca
Páginas: 80

24 de maio de 2014

Resenha: Sergio Y. Vai à América - Alexandre Vidal Porto

Sérgio Y é um jovem de classe média, com uma boa família e uma vida considera boa. Contudo, ele se considera infeliz. Sérgio busca ajuda consultando com o psiquiatra Armando, narrador do livro, e depois de algumas consultas ele abandona o tratamento.
Armando fica intrigado com a súbita desistência do paciente e com alguns acontecimentos nos anos seguintes e decide buscar entender o que aconteceu com Sérgio Y.
É uma narrativa curta e não quero estragar o pequeno suspense existente comentando muito mais sobre o enredo. Eu gostei muito do livro. O desenvolvimento dos personagens foi excelente. Admiro muito autores que conseguem envolver o leitor com a história, desenvolver os personagens e o enredo em poucas páginas.
Alexandra Vidal Porto também aborda a questão da sexualidade e deslocamento na sociedade de uma forma muito interessante. Luiz Ruffato comenta na contracapa do livro que o autor lida com um tema-tabu com muita competência e eu concordo com a afirmação. A minha leitura de “Sérgio Y. Vai à América” coincidiu com uma aula de sociologia sobre a história da sexualidade e isso não poderia ter sido melhor.
A sexualidade ainda é um tema visto como um tabu por muitos e ainda existe uma grande exclusão e deslocamento de pessoas “diferentes” na sociedade. Acredito que o medo da exclusão, mas a coragem e necessidade de buscar a felicidade foram dois pontos muito bem abordados pelo autor no desenvolvimento do Sérgio. Tudo é retratado com uma naturalidade e em nenhum momento vira algo forçado.
"Por isso, a mensagem que eu gostaria de deixar aos mais novos é que acreditem que a felicidade existe. Vão atrás dela, mesmo que para isso vocês tenham que fazer uma coisa nova, que nunca imaginariam fazer. A felicidade vem da coragem de fazer algo novo." (p. 40)
É um livro sobre aquilo que não dizemos e sobre tentar entender uma pessoa com base em memórias. Mostra como um paciente, considerado muito interessante por seu psiquiatra, impactou a vida do médico.
"Metaforicamente, a América era tudo o que eles já eram, mas ainda não tinham conseguido ser" (p.137)
Existe um pequeno suspense que deixa o livro completamente envolvido na narrativa e eu gostei como a história é fluída. Sem plot twists repentinos e sem acontecimentos desnecessários. É uma narrativa maravilhosa que eu fiquei extremamente feliz em acompanhar.

19 de maio de 2014

Resenha: Ao Farol - Virginia Woolf

O início do livro se ambienta em 1910, quando a família Ramsey e alguns amigos vão passar o verão em uma ilha. “Ao Farol” é um romance introspectivo, focado mais nos pensamentos e sentimentos dos personagens do que em uma sequência significativa de fatos.
Essa foi a minha primeira experiência com a narrativa de Virginia Woolf e eu gostei bastante. É diferente da maioria dos livros que eu costumo ler e diferente dos clássicos que eu já li. É uma narrativa única e maravilhosa.
Eu gostei muito de como a autora trabalhou a questão do tempo durante o livro. A primeira parte – anterior à guerra – ocupa mais da metade do livro e narra apenas uma tarde e uma noite. Enquanto isso, a segunda parte – durante o período de guerra – narra um período de quase dez anos em poucas páginas. Já na terceira parte o tempo volta a ser mais lento novamente.
A questão do enredo é basicamente o desenvolvimento dos personagens principais, os seus pensamentos, como veem a vida e como os impactos da guerra os afligem mais adiante. Os conflitos são internos aos personagens e o livro possui muitas passagens de pensamentos e fluxos de consciência.
Não é um livro de fácil leitura, mas o esforço inicial para se acostumar com a narrativa e com os personagens compensa ao chegar ao final de um livro maravilhoso. A forma como Virginia Woolf narra os impactos da guerra e da morte na mente dos personagens é incrível. Uma das melhores descrições de perda que eu já li.
“Ao Farol” é narrado em terceira pessoa, com poucos diálogos, poucas ações e intrigas. É um livro com um ritmo mais lento, contudo, a maravilha da narrativa está nessa lentidão. É aquele livro que me via relendo várias vezes a mesma frase de tão bem escrita que era e de tão bem que retratava o sentimento dos personagens. É uma narrativa muito bonita.
Não vou conseguir, nessa resenha, refletir como realmente é o livro. É difícil falar sobre o enredo e com certeza é um livro que exige futuras releituras para conseguir extrair por completo a sua essência. Eu gostei muito do livro, da narrativa e principalmente da terceira parte. Com certeza seguirei lendo as obras da Virginia Woolf.

15 de maio de 2014

Leituras de Abril (2014)

Oi gente,


Com um pouquinho de atraso, aqui está o vídeo com as leituras de abril. Já postei quase todas as resenhas, mas enfim, os comentários no vídeo são mais pontuais. Espero que vocês gostem do vídeo (finalmente consegui melhorar a qualidade de imagem e som) e me contem o que vocês andaram lendo nesse último mês!

11 de maio de 2014

Resenha: Vinte Garotos no Verão - Sarah Ockler

A paixão de Anna pelo irmão de sua melhor amiga deixa de ser platônica para ser real no seu aniversário de quinze anos. Matt finalmente toma a iniciativa e eles começam um relacionamento maravilhoso que dura algumas semanas.
As perfeitas semanas são interrompidas por um pela morte repentina e trágica de Matt. Deixando a sua família completamente perdida e Anna com o coração partido.
Anna é então convidada para passar alguns dias na praia com a família de Frankie. Frankie tem um plano, que se elas conhecerem um menino por dias – durante os vinte dias – provavelmente Anna irá encontrar seu romance de verão. Ela só não sabe ainda que o coração de Anna ainda bate por Matt.
Eu li muitos comentários positivos sobre esse livro, o que fez com que eu não levasse muito em consideração a sinopse – que provavelmente não faria com que eu escolhesse ler o livro – e desse uma chance. O livro acabou sendo bom, um jovem adulto contemporâneo de leitura fácil, envolvente e simples.
A história foi legal, contudo, eu senti que faltou algo que fizesse com que eu realmente tivesse uma boa experiência com a leitura. Acho que por tratar da morte súbita de alguém muito querido pelas personagens, a autora podia ter trabalhado muito melhor como isso as afetou. Podia ter existido um desenvolvimento diferente com os personagens e com essas férias de verão com uma família completamente desestabilizada. Várias cenas que eu lia, eu sentia que precisava de algo a mais. Tudo aconteceu muito rápido.
A narrativa em primeira pessoa permite que o leitor entenda a visão da Anna, mas nesse livro eu preferiria uma visão mais abrangente. Frankie é uma personagem extremamente complexa, cheia de camadas que acaba ficando de lado porque não temos acesso aos pensamentos dela. Anna se contradiz em muitos momentos e suas ações não condizem com quem ela diz ser, isso me incomodou um pouco porque tornou difícil ver a história pelos olhos dela.

Foi um livro envolvente, e eu realizei a leitura em poucos dias. Acredito que as altas expectativas que eu tinha trouxeram como consequência um pouco da decepção. Acho que pode agradar muita gente, mas infelizmente não funcionou comigo.

6 de maio de 2014

Tag: Livros Opostos

Oi gente,

Como eu não gosto de postar uma resenha atrás da outra e estou sem condições no momento de gravar vídeos (vou gravar um com as leituras de abril em breve), resolvi fazer esse post com fotos. 

A tag foi criada pelo Bruno do Minha Estante e quem me indicou foi a Jennifer do Meu Outro Lado.

1. O primeiro livro da sua coleção e o último livro comprado


Não sei se "O Diário da Princesa" é o primeiro da minha coleção, mas com certeza é um deles e foi também a minha primeira série de livros. "Bonsai" foi um dos últimos livros que eu comprei em uma visita a Livraria Cultura. 

2. Um livro que você pagou barato e um que você pagou caro


Essas edições de clássicos da Wordsworth são sempre bem baratinhas e vale muito a pena. Acho que eu paguei cerca de dez reais em "To The Lighthouse". Como "Maus" é uma graphic novel o preço foi maior do que eu costumo pagar nos meus livros, mas fico feliz em dizer que valeu cada centavo. É um dos meus livros favoritos.

3. Um livro com um protagonista homem e um com uma protagonista mulher


Com um protagonista masculino eu escolhi o Miles de "Looking for Alaska" e a protagonista feminina eu escolhi a Esther de "The Bell Jar". Gosto muito dos dois, por motivos diferentes e considero ambos livros como favoritos. 

4. Um livro que você leu bem rápido e um que você demorou para ler


"Boca de Ouro" eu li em algumas horas, é curtinho e é uma peça de teatro então acaba sendo uma leitura bem rápida. A minha leitura de "The Thief of Time" coincidiu com o ENEM e os meus estudos fizeram com que eu levasse praticamente um mês para concluir a leitura. 

5. Um livro com uma capa bonita e um com uma capa feia


Desde que eu li "O Apanhador no Campo de Centeio" eu quis ter uma edição com essa capa. Demorou um tempinho, mas eu finalmente agora tenho ela e posso ficar admirando na minha estante. É linda linda linda. Já a capa de "Lola e o Garoto da Casa ao Lado" eu não gosto muito por um simples motivo: pessoas! Sempre que tem pessoas na capa eu acabo não gostando tanto. Contudo, as capas novas dos livros da Stephanie Perkins nos Estados Unidos são maravilhosas. 

6. Um livro nacional e um internacional


Para livro nacional eu escolhi "O Céu dos Suicidas" do Ricardo Lísias, um livro que me surpreendeu bastante e que eu também recomendo bastante. Para livro internacional eu escolhi um dos meus clássicos favoritos, "O Morro dos Ventos Uivantes" da Emily Brontë.

7. Um livro fino e um livro grosso


"Carta a D." é o menor livro que eu tenho e "The Cuckoo's Calling" é um dos maiores (fiquei com preguiça de comparar ele com os outros, confesso). Ambos são muito bons!

8. Um livro de ficção e um de não-ficção


"O Palácio de Inverno" por mais que mencione acontecimentos históricos reais é uma história fictícia (e maravilhosa), já "Vozes Roubadas" é um compilado de diários reais escritos por crianças/adolescentes reais durante guerras reais.

9. Um livro meloso e um de ação


Eu gosto de "Anna o Beijo Francês", apesar de ter alguns probleminhas com um personagem fofo chamado St. Clair e a forma como ele age em alguns momentos do livro. Enfim, é um livro bem meloso. "Hobbit" é um livro cheio de aventuras e bem divertido.

10. Um livro que deixou você triste e um que deixou você feliz


Então, vocês já sabem que TFIOS me deixou triste, que é um livro triste e que provavelmente eu vou chorar muito no cinema (daqui umas semanas!!!). Ainda assim, vale ressaltar que eu recomendo muito a leitura. Um livro que me deixou feliz foi o adorável "Fangirl" da Rainbow Rowell. É simplesmente fofo e lindo (e a personagem é muito parecida comigo).

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É isso! Espero que vocês tenham gostado e espero que eu consiga voltar com os vídeos em um futuro próximo. Quais livros vocês escolheriam para as categorias?

Gabi

1 de maio de 2014

Resenha: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo - Benjamin Alire Sáenz

Eu tinha expectativas altas quando iniciei a leitura de “Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo”. É um livro que eu vi muita gente elogiando e estava esperando algo incrível. E realmente, eu li uma história incrível.
Aristóteles, mais conhecido como Ari, é um adolescente que se sente completamente deslocado na vida, tentando achar o seu lugar no mundo e tentando compreender seus pensamentos. Ele é muito sozinho e não consegue se comunicar direito com seus pais devido a problemas do passado. Contudo, tudo isso começa a mudar quando ele conhece Dante.
Dante é confiante, fala bastante e consegue ir derrubando as barreiras de Ari com o inicio de uma amizade maravilhosa. Os dois constroem aos poucos uma ligação única e especial.
“Eu era praticamente invisível. Acho que gostava de ser assim.
Até que surgiu Dante”
“Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo” é um livro jovem adulto que se encaixa na subcategoria de ‘coming of age’, que consiste na transição da infância para a vida adulta. É o amadurecimento dos personagens em uma fase tão confusa e complicada da vida. O autor consegue lidar com diversos temas envolvendo a adolescência de uma forma muito real.
A narrativa é maravilhosa, poética e muito bem construída. Não existe uma grande intriga no livro, o foco fica nos pequenos e importantes acontecimentos nas vidas de ambos personagens. É um livro honesto sobre ser adolescente, sobre se sentir completamente perdido esperando o grande momento, onde você vai conseguir se sentir bem com quem você realmente é.
“Fique pensando que poemas são como pessoas. Algumas pessoas você entende de primeira. Outras você simplesmente não entende... e nunca entenderá”
Gostei muito que Benjamin Alire Sáenz reserva um grande espaço do livro para os relacionamentos dos personagens com seus pais. Posso dizer que gostei de todas as relações entre os diversos personagens. Ari e Dante. Ari e seus pais. Dante e seus pais. Ari e os pais de Dante e mais. É um livro completo. O leitor acaba criando uma empatia enorme por todos eles.

É maravilhoso. Lágrimas de tristeza e lágrimas de felicidade foram derramadas e eu só posso dizer que recomendo muito. 
A prova do livro foi cortesia da Editora Seguinte.