23 de agosto de 2014

Resenha: A festa da insignificância - Milan Kundera

“A festa da insignificância” foi meu primeiro contato com a narrativa de Milan Kundera. Não tenho como comparar com os outros livros do autor, mas achei bem diferente e interessante a maneira como ele apresentou alguns temas do cotidiano.
A ambientação do livro é em Paris e acompanhamos alguns dias de quatro amigos e a falta de sentido de suas vidas. Eles passeiam por jardins, observam as filas de museus, pensam sobre seus passados e futuros, vão a festas bizarras e o leitor vai acompanhando esse dia a dia.
Entre esses acontecimentos sem certa significância, o autor pincela discretamente temáticas que são interessantes de se pensar sobre. Kundera aborda a ideia de como as gerações mais novas não tem uma ideia completa dos acontecimentos históricos do passado e como esse desencontro de gerações promove discursos que nem sempre são entendidos por completo quando ditos por uns e ouvidos por outros a anos de distância.
“Quando Ramon explicara sua teoria sobre os observatórios erguidos cada um num ponto diferente da história a partir dos quais as pessoas se falam sem poder compreender umas às outras”
Um dos personagens lida com a doença da mãe e com a efemeridade da vida. Isso não é tratado pelo narrador como um acontecimento principal, como a festa que eles vão e as conversas sobre ideias para futuras peças de teatro. Eu vi nisso uma forma de dizer que as pessoas acabam colocando esses acontecimentos mais ‘distrativos’ antes de lidar com os problemas mais sérios. Esses sempre sendo adiados e adiados.
“Mas Charles ainda não estava pronto para enfrentar o fim; o fim, ele gostaria de adiar para mais tarde” .
Eu achei interessante e a minha interpretação do livro foi que as questões mais ‘sérias’ foram tratadas como secundárias. O livro é cheio de cenas engraçadas, piadas, personagens cômicos, mas não é um livro engraçado em si. Ao terminar, eu senti que toda a comédia foi apenas uma forma de encobrir a densidade. Kundera assim, faz um retrato incrível de como se vive a maioria dos dias. Ignorando a densidade da vida.
Gostei muito da narrativa do autor e da forma como ele abordou as insignificâncias da vida. É leve, mas com bastante conteúdo e eu recomendo muito a leitura.

Acredito que é um livro que pode ser interpretado de diversas maneiras, mas essa resenha reflete como eu vi a história e acho que seria interessante conversar sobre o enredo com mais gente que já tenha realizado a leitura. 

17 de agosto de 2014

Resenha: Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins

O meu último contato com a narrativa da Stephanie Perkins foi em 2012 com a minha leitura de Lola e o Garoto da Casa ao Lado. Desde então eu venho esperando o próximo lançamento da autora agora eu finalmente pude ter meu coração preenchido com cenas fofas e personagens interessantes.
Em “Isla and the happily ever after” nós voltamos ao colégio interno que ambienta a história de “Anna e o Beijo Francês” para acompanhar o ano de Isla. Ela que é uma menina introspectiva, tímida e que tem uma quedinha por Josh.
O enredo do livro segue esse desenvolvimento de amizade/relacionamento entre os dois e diversas pedras que vão aparecer no caminho para o ‘felizes para sempre’.
A narrativa da Stephanie Perkins é adorável. Por mais que Isla não se tornou o meu favorito da autora, ainda é um livro que me deixou muito feliz. Feliz porque foi um livro leve, bem desenvolvido e com personagens interessantes de se ler sobre.
Isla é tímida. Ela tem medo de se arriscar na vida e seu último ano do Ensino Médio acaba fazendo com que ela tenha que tomar decisões sobre o seu futuro. Eu vi muitos traços da minha personalidade nela e a autora retratou muito bem o que é ter medo de arriscar, medo de sair da zona de conforto. Josh é um mocinho que tem várias camadas, que pode parecer uma pessoa que não se importa com nada, mas que no fundo, existem motivos e explicações.
O enredo é bem desenvolvido. Acho que algumas partes foram corridas demais e por mais que a Isla tenha me incomodado com o que ela faz na festa de natal, eu consigo entender o motivo pelo qual ela fez o que fez. É isso que eu gosto nos personagens da Stephanie Perkins, eles são reais e cometem erros reais.
As ações da Isla condizem com a personalidade insegura dela e isso a tornou uma personagem completa. Ela não se torna extrovertida e segura de si de uma hora para outra, existe um desenvolvimento gradual. A autora faz com que ela vá aprendendo com os erros e se conhecendo melhor.
Eu senti falta de personagens secundários mais significativos. Kurt, o melhor amigo de Isla, não preencheu esse espaço completamente e acho que essa parte poderia ter sido mais bem desenvolvida. Também, acho que Josh merecia um pouquinho mais de atenção, eu queria ter lido mais sobre a vida dele e sobre seus pensamentos e impressões.

Eu recomendo a leitura. Tanto desse quanto dos outros dois livros da autora, são jovens adultos contemporâneos leves, bem escritos e com personagens incríveis. 

10 de agosto de 2014

Leituras de Julho

Oi gente,


Julho foi o mês em que eu inconscientemente li vários livros de capa azul. Foram cinco livros bem diferentes um do outro e eu gostei bastante das leituras. Comento um pouquinho mais sobre cada um deles no vídeo e comento sobre alguns com bem mais detalhes nas respectivas resenhas.


Resenhas:
Caninos Brancos
Extraordinário
Altos voos e quedas livres