29 de setembro de 2014

Resenha: Esta Valsa é Minha - Zelda Fitzgerald

“Esta Valsa é Minha” é um romance autobiográfico escrito por Zelda Fitzgerald em seis semanas enquanto ela esteve internada em um hospital psiquiátrico. Caio Fernando Abreu escreveu no prefácio da edição de 1986 que “Zelda escrevia para se justificar, para se compreender, para se salvar. Para orientar a si própria dentro daquele poço onde tinha caído e que, até hoje, por falta de outra palavra mais adequada, chamamos de ‘loucura’”.
Com trocas de nomes e profissões, Zelda conta um pouco da sua história. Como ela cresceu em uma cidade pequena, conheceu Scott Fitzgerald, casaram e logo depois Scott começou a ficar famoso por seus livros.
No livro, Zelda tem o nome de Alabama e Scott de David. No lugar da profissão de escritor temos um pintor famoso. É visível que Zelda tem um fluxo de pensamentos muito corridos durante a escrita do livro, tanto que é uma narrativa com pulos bem grandes a cada cena e sem muitas introduções. Um momento ela estar falando sobre uma cena x e logo na linha seguinte já mudar para outro lugar com outras pessoas.
“Um dia acordará para observar que as plantas dos jardins alpinos são, na sua maioria, fungos que não precisam de muito alimento, e que os discos brancos que perfumam a meia-noite não chegam a ser flores, apenas embriões em desenvolvimento”
Eu tenho certa fascinação por esse período da história e pelos Fitzgeralds. Li apenas O Grande Gatsby do Scott Fitzgerald, mas já foi o suficiente para entender a sociedade americana do entre guerras, ele tendo narrado tudo de uma forma brilhante. Zelda caracteriza essa sociedade no seu livro também, de uma forma maravilhosa.
“Alabama pensou em Joan. Estar apaixonada, concluiu, não passa de uma apresentação de nossos passados a outro individuo, pacotes na sua maioria de tão difícil manejo que não conseguimos mais lidar nem com os cordões soltos. Procurar amor é como pedir um novo ponto de partida, pensou, uma nova chance na vida”.
O casal se muda com a filha para Europa por um tempo após a Primeira Guerra Mundial e é onde vemos como financeiramente tudo era possível, a euforia e a bebida. Também, é quando Zelda resolve que precisa fazer alguma coisa de sua vida, não querendo mais viver na sombra do seu marido. Zelda resolve que quer ser bailarina e é uma parte muito forte no livro onde vemos ela se levando a exaustão completa em busca da perfeição.
“Por que passamos anos gastando os corpos para alimentar as mentes com experiência, para no final descobrir as mentes se voltando para os corpos exaustos em busca de consolo?”.
É uma narrativa cansativa. Com partes muito interessantes, muito boas e partes bem desnecessárias. Cenas longas, diálogos longos que acabam não acrescentando nada para o desenrolar do enredo. Contudo, devido às circunstâncias em que o livro foi escrito, acredito que isso acaba se tornando aceitável para o leitor que tem interesse na autora, na sua situação e na história que ela está tentando contar.

O livro conversou comigo de uma maneira interessante. Eu não esperava tirar tanto do livro como eu tirei, tantas cenas e passagens marcantes e tantos acontecimentos que me deixaram pensando bastante. Apesar das questões de narrativa e estrutura, foi uma leitura muito rica e válida. 

25 de setembro de 2014

Tag: Dia da Semana em Livros

Oi gente,

A última vez que eu postei uma tag foi lá em abril (quando eu percebi isso fiquei assustada como o tempo passou rápido) e finalmente eu consegui gravar outro vídeo desse estilo! Espero que vocês gostem.



Tag criada pela Pam do Garota It

Que vídeos/posts vocês gostariam de ver por aqui?

Gabi

20 de setembro de 2014

Resenha: Profissões para mulheres e outros artigos feministas - Virginia Woolf

“Profissões para mulheres e outros artigos feministas” é um livro que conta com sete escritos de Virginia Woolf. Foi meu primeiro contato com a obra de não ficção da autora e posso dizer que me surpreendi muito.
A autora viveu entre 1882 e 1941, contudo, a maneira como ela fala sobre o papel da mulher na sociedade e sobre o feminismo é extremamente atual e bastante avançada para época. 
O primeiro texto é chamado “Profissões para mulheres” e Woolf fala sobre as diferenças de ser escritora mulher na época em que ela começou a escrever. Ela fala sobre os bloqueios que as mulheres sofrem na hora de escrever honestamente sobre aquilo que desejam. 
“(...) Falando sem metáforas, ela pensou numa coisa, uma coisa sobre o corpo, sobre as paixões, que para ela, como mulher, era impróprio dizer. E a razão lhe dizia que os homens ficariam chocados (...) Pois, embora sensatamente os homens se permitam grande liberdade em tais assuntos, duvido que percebam ou consigam controlar o extremo rigor com que condenam a mesma liberdade nas mulheres”.
Para Virginia Woolf, as mulheres têm muitos fantasmas a combater e muitos preconceitos a vencer enquanto escreve. E que vai levar muito tempo até uma mulher conseguir exercer a profissão de escritora (e qualquer outra) sem fantasmas a combater no caminho.
O quarto texto consiste em uma troca de cartas entre Virginia Woolf e Desmond MacCarthy que havia publicado uma resenha onde comentava sobre a inferioridade da mulher comparando ao homem. A discussão dos dois levanta assunto como “se as mulheres são igualmente capazes, porque elas não abriram caminho com suas conquistas” e trás respostas de que “elas não tinham espaço para abrir esses caminhos sozinhas”.
O resenhista escreve em resposta a Woolf que “Nada me convencerá de que uma mulher, vivendo na mesma época e em condições mais favoráveis do que as deles, se tivesse mostrado a mesma capacidade e paixão intelectual instintiva, não teria feito o que eles fizeram” e sabemos que os homens tinham essa facilidade em ter acesso ao conhecimento porque não eram vistos como seres inferiores. O caminho deles não era preenchido por pedras e fantasmas.
Virginia Woolf responde que a única explicação que ela vê na ausência de boas e más escritoras é:
“não consigo conceber nenhuma razão a não ser alguma restrição externa a suas capacidades (...) Por que, a não ser que estivessem forçosamente proibidas, não expressaram esses talentos na literatura, na música ou na pintura?”
Outro ponto abordado pela autora nessa discussão, é que as mulheres precisam de liberdade de expressão, para que possam divergir dos homens sem receio, para que elas possam criar com a mesma liberdade dos homens e ver suas opiniões sendo respeitadas.

Comentei sobre esses dois artigos por terem sido meus favoritos e abordarem de forma abrangente as opiniões da autora. É um daqueles livros que você tem vontade de sair dando de presente para todo mundo porque vale muito a pena. Virginia Woolf aborda o feminismo de uma forma incrível e de uma forma extremamente honesta. É uma leitura muito recomendada, é um livro curto, rápido e simples de ser lido. É um livro com muito conteúdo e muitos tópicos importantes para discussões e para serem pensados.

16 de setembro de 2014

Book Haul: Agosto

Oi gente,

O blog até que não está mais tão abandonado nesses últimos dias e isso está me deixando bem feliz. Nas próximas semanas eu vou ter alguns momentos de folga ("folga") e pretendo gravar algumas tags, se quiserem deixar sugestões nos comentários eu agradeço!

Mas bem, para um mês com poucas leituras, agosto foi um mês onde vários livros novos ganharam um espaço aqui em casa (e felizmente setembro está sendo um mês bem mais controlado) Compartilho eles com vocês no vídeo:



Resenhas:
Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins
A festa da insignificância - Milan Kundera

Poema da Maya Angelou


13 de setembro de 2014

Resenha: O que me faz pular - Naoki Higashida

Naoki Higashida escreveu “O que me faz pular” quando tinha treze anos. Ele é um menino autista que nas 186 páginas do livro responde perguntas comuns de pessoas sem a sua condição sobre o autismo e ainda podemos ler alguns pequenos contos escritos por ele.
O livro é escrito por meio de uma prancha de alfabeto, Naoki aponta para as letras e sua mãe o ajuda a ir formando as frases. A prancha é a melhor forma de comunicação que Naoki possui para dizer aos outros o que pensa e o que precisa.
A introdução do livro é escrita por David Mitchell, pai de um menino autista que conta como a leitura da versão em japonês de “O que me faz pular” fez com que ele conseguisse compreender melhor como seu filho pensava e assim, ele se sentiu mais capaz de ajudá-lo e de estar ao seu lado.
É uma introdução muito bonita, sincera e faz com que o leitor entenda a importância de procurar compreender o que uma pessoa sem a capacidade de comunicação deseja comunicar.
“Nem sempre dá para perceber só olhando para uma pessoa com autismo, mas nós nunca sentimos que nossos corpos de fato nos pertencem. Eles estão sempre agindo sozinhos e escapando de nosso controle. Aprisionados lá dentro, lutamos o tempo todo para que façam o que mandamos”
Naoki Higashida entende a sua condição. Ele entende como pode ser difícil para os outros lidarem com o seu modo de viver e entende que muitas vezes, ele não tem controle do próprio corpo e dos seus pensamentos. Ainda assim, em vários capítulos ele pede que não desistam dele. Ele precisa de ajuda, ele valoriza a ajuda que recebe – mesmo que não consiga verbalizar isso – e precisa que as pessoas fiquem ao seu redor, por mais difícil que seja.
“Quando notamos que vocês desistiram de nós, nos sentimos muito mal. Então, por favor, continuem nos ajudando, até o fim”
“O que me faz pular” é um livro escrito de uma forma simples, capítulos curtos e muita honestidade. É uma forma de acesso a pensamentos que não seriam acessados caso Naoki não fosse persistente com a aprendizagem da prancha de alfabeto.
Ao responder as cinquenta e oito perguntas sobre sua condição, Naoki explica o funcionamento da sua memória – que não é linear como a maioria das pessoas tem – como ele, muitas vezes não tem controle daquilo que faz, o motivo dele não olhar nos olhos das pessoas enquanto conversa, como é difícil e porque é difícil para ele conversar e se comunicar e diversos outros itens que nos fornece um entendimento muito interessante da sua condição de autista.

É um livro com muito conteúdo e que eu recomendo bastante para aqueles que têm interesse em conhecer mais sobre o autismo, explicado por um autista. 

10 de setembro de 2014

Estive pensando... A vida no momento

Ano passado, meu maior desejo era que o vestibular passasse e eu conseguisse ‘ler normalmente’ de novo. O ano passou, o vestibular acabou, eu entrei na faculdade e ‘ler normalmente’ de novo acabou não acontecendo.
E diferentemente do ano passado, eu não tenho um desejo de querer que meu ritmo de leitura volte a ser como antes. Por quê? As minhas prioridades acabaram sofrendo algumas alterações.
A faculdade exige a leitura de muitos (muitos, muitos, muitos) textos. Então eu estou lendo. Passo a maior parte dos meus dias lendo, mas não são livros. A maioria dos textos eu realmente gosto e eu realmente não leio por obrigação. Prioridade de leituras durante o semestre? São agora os textos da faculdade. Que conseguem se multiplicar de forma assustadora de uma semana para outra.
Conversando com uma amiga minha sobre como as minhas leituras estavam mais lentas, ela me disse algo que me deixou pensando. Ela me disse que a arte existe para preencher um espaço, existe para compensar a falta de algo e existia para me fazer companhia. A faculdade começou e com toda a loucura e confusão, muitas coisas mudaram na minha vida e eu me permiti dar uns saltos no desconhecido e arriscar um pouco.
Eu nunca tive um círculo de amigos, eu sempre fui mais sozinha e o meu lado social sempre foi bem parado. Tanto que eu sempre dizia como piada que o meu segredo para ler tanto era não ter vida social. A piada acabou se mostrando verdade.
A literatura ainda me deixa extremamente feliz, mas a novidade é que não é mais uma das minhas únicas fontes de felicidade. Essa fonte ficou em segundo plano. O espaço que existia para ela ficou menor e ele foi também ocupado por pessoas incríveis. E querem saber um segredo? Foi a melhor coisa que já me aconteceu.
Esse primeiro ano de faculdade está sendo muito difícil. Realmente difícil. Eu já pensei em desistir, já chorei, já me estressei (muito) e já entendi que eu amo psicologia e eu amo estudar isso. Posso dizer que esses últimos meses estão sendo os melhores que eu já tive. As minhas leituras estão mais lentas? Sim, mas eu não mudaria isso por nada.
O que eu estou lendo também mudou. Estou bem mais seletiva com quais são as minhas leituras do mês. É aquela ampliação de gêneros de leitura que eu já comentei aqui antes acontecendo.
É meio incrível como tudo acontece. É lindo como algumas coisas acontecem e é lindo como a vida vai mostrando caminhos, alternativas e rotas interessantes para se seguir. Eu estou gostando bastante da rota que eu estou seguindo no momento.
Se alguém me contasse ano passado que a minha vida estaria como está, eu teria certa dificuldade em acreditar. Mas está bem incrível e esse é o motivo das poucas leituras, poucas atualizações no blog e poucos vídeos no youtube.
Como está a vida de vocês?

1 de setembro de 2014

Leituras de Agosto

Oi gente,

Agosto foi um mês que eu passei praticamente todo meu tempo lendo, mas completei apenas três livros. Como isso? Todo o resto consiste em leituras de textos para faculdade. Não que isso seja uma reclamação, eu gosto dos textos da faculdade (não todos, obviamente, mas a maioria eu não penso 'queria estar lendo um livro').

Estou pensando também em escrever um post sobre mudanças de prioridades e o que 'ler' significa atualmente para mim, vocês iriam gostar? Também queria pedir sugestões de posts diferentes (alimentar o blog só com as resenhas não está dando muito certo). Podem deixar nos comentários aqui ou me enviar pelas redes sociais!

Mas enfim, eu li três livros em agosto e comentei um pouco sobre cada um no vídeo: