13 de setembro de 2014

Resenha: O que me faz pular - Naoki Higashida

Naoki Higashida escreveu “O que me faz pular” quando tinha treze anos. Ele é um menino autista que nas 186 páginas do livro responde perguntas comuns de pessoas sem a sua condição sobre o autismo e ainda podemos ler alguns pequenos contos escritos por ele.
O livro é escrito por meio de uma prancha de alfabeto, Naoki aponta para as letras e sua mãe o ajuda a ir formando as frases. A prancha é a melhor forma de comunicação que Naoki possui para dizer aos outros o que pensa e o que precisa.
A introdução do livro é escrita por David Mitchell, pai de um menino autista que conta como a leitura da versão em japonês de “O que me faz pular” fez com que ele conseguisse compreender melhor como seu filho pensava e assim, ele se sentiu mais capaz de ajudá-lo e de estar ao seu lado.
É uma introdução muito bonita, sincera e faz com que o leitor entenda a importância de procurar compreender o que uma pessoa sem a capacidade de comunicação deseja comunicar.
“Nem sempre dá para perceber só olhando para uma pessoa com autismo, mas nós nunca sentimos que nossos corpos de fato nos pertencem. Eles estão sempre agindo sozinhos e escapando de nosso controle. Aprisionados lá dentro, lutamos o tempo todo para que façam o que mandamos”
Naoki Higashida entende a sua condição. Ele entende como pode ser difícil para os outros lidarem com o seu modo de viver e entende que muitas vezes, ele não tem controle do próprio corpo e dos seus pensamentos. Ainda assim, em vários capítulos ele pede que não desistam dele. Ele precisa de ajuda, ele valoriza a ajuda que recebe – mesmo que não consiga verbalizar isso – e precisa que as pessoas fiquem ao seu redor, por mais difícil que seja.
“Quando notamos que vocês desistiram de nós, nos sentimos muito mal. Então, por favor, continuem nos ajudando, até o fim”
“O que me faz pular” é um livro escrito de uma forma simples, capítulos curtos e muita honestidade. É uma forma de acesso a pensamentos que não seriam acessados caso Naoki não fosse persistente com a aprendizagem da prancha de alfabeto.
Ao responder as cinquenta e oito perguntas sobre sua condição, Naoki explica o funcionamento da sua memória – que não é linear como a maioria das pessoas tem – como ele, muitas vezes não tem controle daquilo que faz, o motivo dele não olhar nos olhos das pessoas enquanto conversa, como é difícil e porque é difícil para ele conversar e se comunicar e diversos outros itens que nos fornece um entendimento muito interessante da sua condição de autista.

É um livro com muito conteúdo e que eu recomendo bastante para aqueles que têm interesse em conhecer mais sobre o autismo, explicado por um autista. 

5 comentários:

  1. Só com os quotes e a resenha eu já fiquei tocada com a história; imagino o que causará a leitura desse livro. Adicionei à minha lista de leitura e espero lê-lo em breve!

    http://ternatormenta.blogspot.com.br/

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  2. Saudade de vir aqui! Mas as provas terminaram; posso dar uma respirada.
    Acho lindo seu interesse e sensibilidade com esses livros. Como esperar outra coisa de uma estudante de Psicologia? Vou recomendar à minha irmã; ela quer ser psiquiatra.

    Clara
    @clarabsantos
    clarabeatrizsantos.blogspot.com

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  3. Fiquei super interessada nesse livro. Entrou pra lista de desejados <3 ótima resenha! Abraços

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  4. Fiquei muito curiosa com esse livro quando ele foi exposto na Turnê Intrínseca aqui na minha cidade. Acredito que desde quando eu soube sobre autismo, eu tive curiosidade em conhecer melhor isso, mas as causas e sintomas dele são bem subjetivos, então não dá pra confiar nas informações colocadas na internet. Ao saber de um livro que foi feito por um próprio autista, me interessei bastante. E sua resenha me comprova o quanto ele deve ter sido esclarecedor sobre o autismo. Quero muito poder ler ainda esse ano.

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

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  5. Recentemente li um livro com a mesma temática desse, mas infelizmente não foi uma experiência tão boa quanto a sua, pois a doença não foi aprofundada durante a narrativa. Esse livro parece ser muito tocante, principalmente por ser uma história verossímel. Com certeza é algo que procurarei ler.
    Beijo,
    Nic

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